Vida e Morte
- Charles Alcantara
- 17 de ago. de 2018
- 1 min de leitura
A eternidade está na não existência material, na morte física.
Vida é fugaz, faísca de existência.
Vida é efemeridade, morte é eternidade.
Vida, desejada; morte, repelida.

Vida é breve e impermanente, morte é para sempre.
Quanto mais me aproximo desse reencontro com o eterno, cada vez mais assim percebo essa dicotomia entre a vida e a morte.
Por muito tempo acreditei que morte é a interrupção da vida.
Hoje, acredito no oposto: é a vida que interrompe a morte.
Perceber a morte a partir desse ponto de vista, produz uma nova gênese sobre o nascimento, que desvela o seu “pecado” original, o de evento que cessa a eternidade por um átimo.
Não se trata de desapreço pela vida, mas apenas de reconhecimento da sua infimidade, para torná-la grande, e de admissão da sua fugacidade, para fazê-la intensa.
A morte inspira mais que a vida. Aliás, que graça teria a vida, destituída da finitude e da precariedade?
Os problemas pertencem à vida, e não à morte.
As preocupações são coisas da vida, e não da morte.
As iniquidades do mundo são obras dos viventes.
Se a vida já é tão demasiadamente curta, temer a morte é uma tremenda perda de tempo, além de uma inutilidade.
Estou deixando de temer a morte, por mero pragmatismo, já que tenho coisas mais importantes para fazer com a vida que me foi entregue por alguns instantes.
Os meus temores mudaram de endereço.
Temo não dar conta da vida que me habita.
Temo-me omisso, covarde, mesquinho, egoísta, canalha.
É desses temores que me ocupo.



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