Uma chance à razão
- Charles Alcantara
- 1 de out. de 2018
- 2 min de leitura
É desonestidade intelectual empregar a mesma pecha de extremista a Haddad/PT e Bolsonaro.
Bolsonaro é extremista, mas o PT está muito longe disso, no discurso e na prática.
É desonestidade intelectual igualar PT/Haddad a Bolsonaro.
O PT nasceu, firmou-se e atua estritamente no campo democrático-popular, enquanto Bolsonaro, apesar de eleito, desde o começo de sua carreira política revela absoluto desprezo pela democracia e nítido viés totalitário.
No governo, o PT cometeu erros, mas melhorou todos os indicadores econômicos e sociais do país, como atestam os órgãos oficiais e privados de pesquisa e análise.
Não há um só indicador econômico e social que não tenha experimentado pequenas ou grandes melhoras, sobretudo sob os três primeiros governos do PT.
Poderia ter feito mais e melhor?
Sem dúvida.
Poderia não ter se imiscuído ou se adaptado às regras sujas do jogo eleitoral e do fisiologismo?
Com certeza!
Daí a nivelar PT/Haddad a Bolsonaro é uma brutal desonestidade intelectual.
O PT é merecedor de muitas e até severas críticas, pelos erros que cometeu e pelos interesses e forças que não enfrentou, mas não é merecedor do ódio da população brasileira, seja a do topo, do meio ou da base da pirâmide.
As eleições de outubro, diferentemente de outras tantas desde a redemocratização, não se dão no terreno democrático, quando duas ou mais forças se contrapõem e disputam o voto dos eleitores.
O que está em jogo - para muito além de quem defende mais ou menos o Estado, ou mais ou menos o mercado - é a própria convivência democrática e civilizada.
Eleição é emoção e razão, porque o ser humano é emoção e razão. Mas, pelo que vejo nas ruas e nas redes, a razão está sendo barbaramente torturada pela emoção.
Vivemos sob uma perigosa tirania do medo e do ódio.
A história está aí para provar que a humanidade produziu grandes tragédias, quando fez escolhas e deixou-se levar pelo medo e ódio.
Sem negar a emoção, é preciso dar uma chance à razão, nesse momento decisivo da vida nacional.




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