Por favor!
- Charles Alcantara
- 5 de out. de 2018
- 2 min de leitura
Em nenhum lugar do planeta, a violência foi superada com mais violência.
Em todos os países civilizados, a violência foi superada com mais políticas sociais, mais educação e mais emprego.
Conceder às polícias a exclusão de ilicitude penal de maneira incondicional - que equivale a dar carta branca para matar - vai provocar a morte de mais bandidos, mas também vai provocar a morte de mais policiais e de mais gente inocente.
Armar a população não vai aumentar a segurança das pessoas. Vai, isto sim, aumentar a violência doméstica, as tragédias por motivos banais e potencializar os riscos para os nossos filhos. Vai, isto sim, nos transformar numa sociedade ainda mais neurótica e assustada.
Bolsonaro sempre se colocou contra os interesses dos hipossuficientes: contra os direitos das empregadas domésticas, contra direitos de portadores de deficiência, contra o Bolsa-Família, a favor da reforma trabalhista, a favor do teto de gastos.
Bolsonaro já declarou mais de uma vez a sua antipatia em relação aos fiscais de todo o Brasil e aos sindicatos de trabalhadores, prometendo atacar ambos.
Bolsonaro não vai enfrentar a corrupção, porque está envolvido em uma série de denúncias de corrupção; porque está cercado de gente suspeita de corrupção; e, porque dependerá do centrão para governar, mais do que qualquer outro candidato.
Mesmo sendo um parlamentar inepto e medíocre, integrante do chamado baixo clero da Câmara dos Deputados, multiplicou inexplicavelmente o patrimônio familiar.
Bolsonaro é truculento, intolerante, assediador e imoral.
Indagado por uma repórter sobre o porquê recebe auxílio-moradia, mesmo possuindo imóvel próprio em Brasília, respondeu de modo grosseiro e indecoroso que usava o dinheiro pra “comer gente”.
Bolsonaro manteve por vários anos uma funcionária fantasma na folha de salários da Câmara dos Deputados, como manobra fraudulenta para pagar o seu caseiro, esposo da funcionária. Só depois de denunciado o caso, providenciou o seu desligamento.
O vice, general Mourão, criticou publicamente o 13º salário e adicional de férias, conquistas históricas dos trabalhadores. Mesmo repreendido por Bolsonaro, reiterou a crítica, o que tem duplo e grave significado: que vai tentar acabar com esses direitos históricos e que não vai se submeter ao comando de Bolsonaro.
Mourão cogitou publicamente aplicar um autogolpe, caso o governo de Bolsonaro enfrente problemas de governabilidade.
O banqueiro Paulo Guedes, assessor e guru econômico de Bolsonaro, propôs aumentar o imposto de renda dos mais pobres e diminuir dos mais ricos. Diante das reações negativas, tentou corrigir a proposta, sem convencer.
Há duas semanas o guru está calado, certamente porque é portador de péssimas notícias que podem causar problemas ao seu candidato.
Bolsonaro é incapaz de governar, porque foi incapaz de ser um deputado sequer mediano; incapaz de aceitar críticas; incapaz de respeitar as diferenças e os diferentes; incapaz de aceitar a democracia.
Bolsonaro é o corredor polonês que nos levará ao atraso e à tirania.
Servidor público que vota em Bolsonaro é comparável à barata que vota no chinelo, à mosca que vota no sap
o, ao camundongo que vota na cobra.
Peço apenas um favor àqueles que, apesar disso, escolheram Bolsonaro.
Por favor, não falem que é por causa da corrupção!
Por favor, inventem outra desculpa!




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