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Pelos - e aos - pretos

  • Foto do escritor: Charles Alcantara
    Charles Alcantara
  • 13 de set. de 2018
  • 2 min de leitura

Somos negros ou pretos, ou quase negros ou quase pretos, somos morenos, pardos e mulatos.

Somos milhões quase com nenhum tostão.

A nossa etnia tingiu de bronze indelével a peculiar raça brasileira.

O nosso sangue e suor encharcaram o nosso chão.


Os escravocratas do passado sacramentaram o destino de incontável legião de seres humanos, ontem e hoje: ontem, dos africanos arrancados de sua pátria e dos que ficaram na terra natal com a dor dilacerante da saudade; hoje, dos seus descendentes, que somos nós.

Por que será e de onde vem todo esse preconceito?

Será por ódio, nojo ou medo?

Por que resiste desse jeito?

Por que é tão descaradamente negado, mesmo sendo tão gritante?

Caçaram-nos, forçaram-nos, subjugaram-nos, humilharam-nos, açoitaram-nos, mataram-nos.

Ainda hoje, fazem piadas de nós, olham-nos de cima pra baixo com desconfiança ou nojo, humilham-nos, escolhem-nos para as revistas policiais, algemam-nos, negam-nos direitos elementares, matam-nos preventiva e sumariamente.


Ainda hoje, associam-nos à malandragem ou à promiscuidade, medem a nossa massa corporal em arrobas.

Não importa se alguns de nós não tenhamos sofrido todo o repertório de violências e atrocidades cometidas contra os nossos antepassados e contemporâneos.

Não importa se alguns de nós galgamos uma posição acima dos nossos semelhantes na chamada pirâmide social.

O que importa é que tudo o que foi e vem sendo feito contra cada um, foi e vem sendo feito contra todos nós.

Quando assassinaram Amarildo, Marielle e Anderson, assassinaram um pouco de cada um de nós.

Quando insultaram e algemaram a advogada Valéria dos Santos, no Juizado de Duque de Caxias (RJ), insultaram e algemaram todos nós.

Não queremos a piedade de ninguém. O que queremos e exigimos, é respeito.

Não queremos que nos passem a mão na cabeça, nem que nos rendam homenagem póstuma. O que queremos e exigimos, é igualdade.

Respeito e igualdade.

Exclamamos, em voz alta: RESPEITO e IGUALDADE!

A exemplo do que as mulheres brasileiras já começaram a fazer, os negros ou pretos, ou quase negros ou quase pretos, os morenos, os pardos e os mulatos, precisam dizer um sonoro não a Bolsonaro!


Não a Bolsonaro, por imperativo moral e civilizatório e porque nenhuma diferença política, religiosa ou de qualquer outra natureza pode ser maior que a nossa vontade de acabar de uma vez por todas com o racismo.

Qualquer um, menos um neoescravocrata!

Qualquer um, menos um racista!

Não a Bolsonaro!

Bolsonaro, não!


Imagem: Pixabay


 
 
 

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