Em nome do “Pai”
- Charles Alcantara
- 3 de set. de 2018
- 2 min de leitura
Se não houvesse tanto “homem de bem” dando uma fraquejada de vez em quando, não haveria tantas mulheres reivindicando igualdade salarial com os homens.
Se não houvesse mulher feminista, não haveria mulher “feia”. E, se não houvesse mulher “feia”, todas mereceriam ser estupradas.
Se os africanos não tivessem vindo se oferecer como escravos no Brasil, não teria tanto afrodescendente privilegiado com cotas nas universidades prejudicando a supremacia branca.
Se a ditadura tivesse matado todos os seus opositores, não teria tanto sindicalista lutando por direitos e atrapalhando o progresso do país.
Se todos os “homens de bem” tivessem uma arma, muito provavelmente todos os “homens de mal” já teriam sido eliminados.
Se os pais criassem os filhos com menos carinho e mais porrada, não teria tanto gay desfilando nas ruas e insultando a tradicional família brasileira.
Se não existisse essa palhaçada de direitos humanos, a escravidão não teria sido abolida, não existiria essa obrigação absurda de patrão pagar salário e conceder férias aos empregados, e, ainda por cima, não haveria esse mimimi todo só por causa de uma torturazinha aqui, uma execução sumária acolá.
Se os pobres fossem castrados, não haveria tantos assaltantes perigosos e pedintes perambulando por aí.
Se a gente fuzilasse toda essa petezada corrupta, só sobrariam os bem nascidos e honrados “homens de bem”, tipo assim: banqueiro, industrial, militar, apresentador de telejornal e comentarista de economia e política da Globo, juiz, promotor e delator.
Se não existisse esse bando de artista maconheiro e de professor comunista, não haveria esse chororô babaca por causa do incêndio de um museu cheio de coisa velha.
Se os eleitores derem uma oportunidade ao capitão, ele poderá, enfim, baixar a porrada em toda essa raça pobre, preta, indígena, cotista, homossexual e comunista, tudo em nome de Deus, pela propriedade, pela pátria e pela família brasileira.




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